OCORRÊNCIA DE CÂNCER DE MAMA EM HOMENS NO BRASIL
Enviado por Saturday, October 25 @ 17:57:00 BRST por dinho
|
|
OCORRÊNCIA DE CÂNCER DE MAMA EM HOMENS NO BRASIL
Luciane Anita Savi1 e Patrícia Haas2 Acadêmica do Curso de Farmácia - Análises Clínicas - UFSC Professora do Departamento de Análises Clínicas - UFSC
ABSTRACT: the breast cancer in male is a malignant neoplasia not very studied, but when it is diagnosed it causes a great impact on the patient due to the prejudice and lack of information. The breast cancer reaches 1 man in 100 women, however the occurence of this neoplasia tends to increase because of bad quality of life and difficulty to diagnose the tumor in its initial stage, which would be confused with another disease, such as gynecomasty. The breast cancer treatment in men is similar to the one for women and according to the stage of neoplasia it may be suggested the added hormonotherapy, chemotherapy, radiotherapy and as a last resource the mastectomy, adrenalectomy, hypophysectomy or castration. In the couple of last years was observed no reduction in mortality rates by breast cancer in men in Brazil. The greatest occurence of this neoplasia was in southern states of the country, specially Rio Grande do Sul. In the continents, Asia surpass the others while Central and South America present the smallest rates. The second main kind of cancer that attempts the Brazilian population is breast cancer, the first is skin cancer no melanoma. The prevention and the correct diagnosis in initial stages of tumor are the best ally of patients with this neoplasia. KEY WORDS: male breast, cancer, occurence
RESUMO: o câncer de mama em homens, é uma neoplasia maligna ainda pouco estudada, porém quando diagnosticada causa grande impacto sobre o paciente devido ao preconceito e falta de informação. O câncer de mama atinge 1 homem em cada 100 mulheres, porém a ocorrência desta neoplasia tende a aumentar devido a má qualidade de vida e dificuldade em diagnosticar o tumor na sua fase inicial, que pode ser confundido com outras doenças como a ginecomastia. O tratamento do câncer de mama em homens é semelhante ao das mulheres e de acordo com o estádio da neoplasia podem ser sugeridos a hormonioterapia aditiva, quimioterapia, radioterapia e em último caso a mastectomia, adrenalectomia, hipofisectomia ou castração. Observou-se nos últimos anos que não houve redução nas taxas de mortalidade por câncer de mama masculina no Brasil. A maior ocorrência desta neoplasia foi nos estados do sul do país, destacando-se o Rio Grande do Sul. Dentre os continentes, a Ásia supera os demais enquanto que a América do Sul e Central apresentam os menores índices. O segundo principal tipo de câncer que acomete a população brasileira é o de mama, o primeiro é o câncer de pele não melanoma. A prevenção e o diagnóstico correto e no início do tumor são os melhores aliados do paciente que possui esta neoplasia. PALAVRAS CHAVE: mama masculina, câncer, ocorrência
INTRODUÇÃO O termo câncer descreve uma classe de doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células aberrantes. Os canceres matam pela invasão destrutiva de órgãos normais por extensão direta e disseminação para pontos distantes através do sangue, da linfa ou das superfícies serosas. Todos os canceres invadem ou metastatizam, mas cada tipo específico tem características biológicas e clínicas singulares que precisam ser avaliadas para o apropriado diagnóstico, tratamento e estudo (Bennett e Plum, 1997). O câncer de mama (neoplasia maligna) é originado a partir do crescimento desorganizado de células das glândulas mamarias. No entanto existem tumores benignos e malignos sendo chamado de câncer somente os malignos. Os benignos são muito freqüente na mama, sendo o mais comum o fibroadenoma. Já no caso de câncer, há alguns tipos diferentes, mas todos devem ser diagnosticados precocemente para que a cura seja possível. A precocidade no diagnóstico é importante para evitar o crescimento local acentuado (nesse estágio é necessário a retirada da mama afetada) e que algumas destas células malignas se desgarrarem do tumor, entrando na corrente sangüínea ou linfática, originando metástases em outras partes do corpo (IDI, 2000). O câncer na mama masculina responde por aproximadamente um em cada cem casos de câncer da mama feminina. Como nas mulheres, o subtipo muito mais comum é a variedade ductal infiltrativa. Embora o homem normal não tenha o desenvolvimento da unidade lobular do ducto terminal, raramente se observa o tipo lobular de carcinoma em homens. Admite-se comumente que a ginecomastia (aumento da mama masculina) não é um fator predisponente para o aparecimento do carcinoma. Não existe uma experiência adequada para sugerir que ocorram lesões hiperplásicas epiteliais atípicas ou que elas sejam precursoras do câncer em homens (Rubin e Farber, 1990). Por causa da escassa quantidade de substância mamaria no homem, a malignidade infiltra prontamente e adere à pele suprajacente e à parede torácica subjacente. A ulceração através da pele é talvez mais comum que na mulher. Esses tumores comportam-se exatamente como os carcinomas ductais invasivos na mulher, porém, como um todo, tendem a exibir uma desmoplasia (formação de estroma rico em colágeno) menos impressionante e, consequentemente, são de qualidade menos dura e cirrosa. Alguns assemelham-se ao carcinoma lobular infiltrante. A disseminação segue o mesmo padrão observado nas mulheres e o acometimento dos gânglios linfáticos axilares está presente em cerca de metade dos casos por ocasião da descoberta da lesão. São comuns as metástases distantes para os pulmões, o cérebro, os ossos e o fígado (Robbins et al,1986). A prevenção e o diagnóstico da doença de mama inicia-se com a anamnese completa. Entretanto, é importante lembrar que o diagnóstico de câncer de mama não pode ser excluído por qualquer achado isolado na história do paciente. As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer de mama são o auto-exame das mamas, o exame clínico e a mamografia. A mamografia é um método de estudo excelente e indispensável. Embora a imagem radiológica do câncer de mama no homem seja diferente da que se observa na mulher, existem muitos aspectos característicos. Os canceres pequenos mostram um nódulo de difícil distinção daquele apresentado pelas ginecomastias nodulares, se não fosse pela presença de demais sinais radiológicos concomitantes. Destes, o mais constante, por sua proximidade - o câncer é praticamente sempre retroareolar - é o edema da pele areolar, mais nítido e evidente que na clínica. Foi observado na radiologia do câncer masculino sinais típicos de malignidade, tais como de hiperdensidade com bordas espiculadas, que não costumas ser tão evidentes como na maioria das neoplasias femininas. Além disso, a mamografia bilateral pode evidenciar uma ginecomastia contralateral. A Termografia (técnica que estende a visão humana através do espectro infravermelho, o infravermelho é uma freqüência eletromagnética naturalmente emitida por qualquer corpo, com intensidade proporcional a sua temperatura, são portanto emissores de infravermelho, em irradiações visuais, através de uma tela de TV, produzindo imagens térmicas chamadas de termogramas, que, em resumo, permitem a visualização da distribuição de calor na região focalizada) é um exame que mostra gradientes de maior temperatura em relação ao lado oposto e de maior intensidade que as ginecomastias. A ecografia (exame onde as imagens são produzidas através da passagem do som pelos tecidos) permite reconhecer as características acústicas da massa palpável, estudar o comportamento dos ecos e separá-los do tecido glandular adjacente (Montoro, 1984; Maturidade, 1999; Rock e Thompson, 1999; Royalagaricus, 1999; IDI, 2000; INCA, 2000; Silva et al, 2001) O diagnóstico do câncer de mama masculina parece ser fácil, pois os pacientes apresentam um nódulo duro, aderente à pele, com fenômenos de retração e adenopatia axilar. Quando o exame ocorre precocemente, o que mais se destaca, além do tumor com suas características, é a aderência à pele, quase sempre presente. Não se deve confundir com aderência à pele, a relação íntima que muitas ginecomastias têm com a mamila, especialmente se são nodulares, pois as triangulares não se confundem clinicamente com o câncer. Mais difícil é distinguir as características físicas de algumas neoplasias da necrose gordurosa. De um modo geral, o antecedente traumático e a ausência de adenopatia contribuem para a diferenciação das lesões. Paralelamente, a mamografia e a termografia também colaboram eficazmente no diagnóstico diferencial (Montoro, 1984; Robbins, 1986). O tratamento primário do câncer de mama no homem, assim como na mulher, depende do estádio em que o paciente se encontra. A preservação da mama é o tratamento adequado na doença nos estádios I e II desde que não haja carcinoma intraductal in situ extenso, se não para o estádio I, a primeira etapa e mais comum é a biópsia excisional da mama primitiva, e depois do diagnóstico do câncer o tratamento consiste na mastectomia radical modificada, com conservação do músculo grande peitoral e com dissecção dos linfonodos axilares. O homem não escapa à conduta atual de quimioterapia coadjuvante. Na ausência de metástase axilar, tendo em vista ser o câncer masculino sempre subareolar, torna-se necessária a biopsia de cadeia mamária interna. Constatada a negatividade desta área linfática, prescinde-se da terapêutica complementar (Montoro, 1984; Montoro, 1987; Rubin, 1990; Cecil, 1997). Para as neoplasias em estádio II, pode-se executar a mesma operação preconizada para o estádio I, ou então a mastectomia radical clássica (Figura 5). O tratamento de ser complementado com quimioterapia adjuvante ou radioterapia pós-operatória. O fato da mama masculina ser reduzida implica na freqüente necessidade de enxerto de pele para fechamento da ferida operatória, em proporção muito maior do que nas mulheres. No estádio III, de mau prognóstico, é imperativo um tratamento sistêmico, quimioterápico, com apoio de medidas loco-regionais como a radioterapia. Excepcionalmente apela-se para a cirurgia (Montoro, 1984). O estádio IV, com câncer disseminado, é domínio da quimioterapia e das operações hormônio-ablativas como castração, adrenalectomia e hipofisectomia, de acordo com Montoro, 1984 e Cecil, 1997: Castração: proporciona bons resultados no câncer disseminado, especialmente com metástases ósseas e pulmonares. De um modo geral, é mais eficiente que a ooforectomia na mulher, mas tem o inconveniente do paciente resistir em aceita-la. Adrenalectomia e hipofisectomia: da mesma forma que a castração, dá uma taxa elevada de remissões. Deve ser especialmente cogitada quando o tecido tumoral apresenta receptores hormonais positivos. Hormonioterapia aditiva: a administração de androgênios não tem dado bons resultados e por isso está em desuso. O uso de corticóides é meramente paliativo. Quimioterapia: apresenta alto percentual de remissões. Deve sempre ser indicada na forma de poliquimioterapia, associada ou não, à terapêutica anti-hormonal. Radioterapia: método capaz de destruir células tumorais, empregando feixe de radiações ionizantes. Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das quais se fará a regeneração da área irradiada. As radiações ionizantes são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia. Ao interagirem com os tecidos, dão origem a elétrons rápidos que ionizam o meio e criam efeitos químicos como a hidrólise da água e a ruptura das cadeias de DNA. A morte celular pode ocorrer então por variados mecanismos, desde a inativação de sistemas vitais para a célula até sua incapacidade de reprodução. A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a qualidade e a quantidade da radiação e o tempo total em que ela é administrada. Para que o efeito biológico atinja maior número de células neoplásicas e a tolerância dos tecidos normais seja respeitada, a dose total de radiação a ser administrada é habitualmente fracionada em doses diárias iguais, quando se usa a terapia externa. A velocidade da regressão tumoral representa o grau de sensibilidade que o tumor apresenta às radiações. Depende fundamentalmente da sua origem celular, do seu grau de diferenciação, da oxigenação e da forma clínica de apresentação. A maioria dos tumores radiossensíveis são radiocuráveis. Entretanto, alguns se disseminam independentemente do controle local; outros apresentam sensibilidade tão próxima à dos tecidos normais, que esta impede a aplicação da dose de erradicação. A curabilidade local só é atingida quando a dose de radiação aplicada é letal para todas as células tumorais, mas não ultrapassa a tolerância dos tecidos normais. Como a radioterapia é um método de tratamento local e/ou regional, pode ser indicada de forma exclusiva ou associada aos outros métodos terapêuticos. Em combinação com a cirurgia, poderá ser pré-, per- ou pós-operatória. Também pode ser indicada antes, durante ou logo após a quimioterapia. A radioterapia pode ser radical (ou curativa), quando se busca a cura total do tumor; remissiva, quando o objetivo é apenas a redução tumoral; profilática, quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas; paliativa, quando se busca a remissão de sintomas tais como dor intensa, sangramento e compressão de órgãos; e ablativa, quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão, como, por exemplo, o ovário, para se obter a castração actínica (Pro-Onco, 1993). Finalmente a década de 80, veio definir estes conceitos e vá-rios centros de pesquisa no mun-do concluíram que em tumores pequenos a mama pode ser preservada com o mesmo sucesso de sobrevida como se tivesse sido retirada. A radioterapia sobre a mama ficou definida como parte integrante do tratamento conser-vador e a quimioterapia ampliou os seus critérios de indicação. A avaliação pré-tratamento de quaisquer dessas técnicas inclui o hemograma completo, o perfil da bioquímica sérica, com especial referência aos estudos sugestivos de comprometimentos hepáticos ou ósseo, e a radiografia do tórax ((Cecil, 1997; Fedrizzi et al, 1999). Na avaliação desses tratamentos, é necessário levar em consideração as estatísticas a longo prazo bem como a curto prazo da recidiva e mortalidade, porque o câncer da mama é uma doença que pode recidivar muitos anos após o diagnóstico inicial. As sobrevidas de 5 e 10 anos para o estádio I é de 58 e 38%, respectivamente. No estádio II, as taxas caem para 38 e 10%, também respectivamente. Para os mesmos estádios na mulher, as cifras no homem são sensivelmente inferiores, o que põe em evidência o mau prognóstico destas neoplasias, especialmente quando se acompanham de metástases axilares (Montoro, 1984; Rubin, 1990).
OBJETIVO
Avaliar dados estatísticos refe-rentes ao número de óbitos por ocorrência, no período de 1996 a 1998, no Brasil de pa-cientes do sexo masculino com neoplasia de mama, obtidos através do DATASUS/Ministério da Saúde, objetivan-do verificar as possíveis causas do crescente índice de mortalidade referente a essa patologia.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizados dados estatísticos obtidos no Ministério da Saúde, no período de 1996 a 1998 para avaliar o número de óbitos ocorridos no Brasil por câncer de mama masculina e também os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA), hospitais e outros órgãos de pesquisa, bem como, uma revisão bibliográfica atualizada da neoplasia específica.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os fatores epidemiológicos diferem quando comparados aos femininos, pois o homem não está sujeito às mudanças hormonais próprios da mulher. A média de idade para o aparecimento de câncer mamario no homem é superior em relação à mulher. Em virtude dos poucos casos observados, não é possível falar em preferência de lado, a bilateralidade foi encontrada em um único paciente. O antecedente traumático parece ter maior importância que na mulher. Os fatores hereditários não têm a relevância que se observa no sexo feminino, embora tenhamos visto o inverso (câncer de mama em paciente cujo pai havia sido operado de carcinoma mamario). O papel dos estrógenos como fator etiológico, muito importante na mulher, não é tão significativo para o homem. Todavia, merece reparo a observação de maior incidência de câncer de mama nos pacientes com neoplasias de próstata, submetidos à terapia estrogênica, nos transexuais que recebem estrógenos e nos portadores da Síndrome de Klinefelter (Montoro, 1984; Silva et al, 2001). A presença de ginecomastia como fator predisponente para o desenvolvimento do carcinoma, não está comprovada, se bem que seja lógico supor que o início e o crescimento das células tumorais devam partir de uma ginecomastia. O uso rotineiro da ginecomastia aumentaria, seguramente, a concomitância de câncer e ginecomastia (Montoro, 1984; Robbins, 1986). A média de idade do câncer masculino é superior em relação ao da mulher, ou seja 61,8 anos. Esta moléstia, pelas características peculiares da mama masculina, denuncia-se precocemente. No entanto, atrasos nos diagnósticos continuam sendo significativos (Montoro, 1984). O sintoma mais importante e freqüente em 100% das vezes, é o tumor. Geralmente de situação subareolar, já foi encontrado separado da aréola, nos casos em que o câncer desenvolveu-se a partir de uma ginecomastia prévia clinicamente reconhecida, embora não se deva considerar que a ginecomastia como um fator predisponente para o aparecimento do carcinoma. O tumor, na maioria das vezes, alcança poucos centímetros - dois a cinco - mostra a dureza característica das lesões malignas e tem a tendência de aderir à pele circunvizinha, por razões de proximidade. Quando o tumor tem até 2cm de diâmetro, não costuma apresentar fenômenos de aderência ou retração. Pensa-se em carcinoma apenas pela sua dureza, pois a ginecomastia nodular nunca alcança tal consistência. Nos tumores maiores, 2 a 5cm, a superfície é irregular e as bordas pouco nítidas. Não são massas muito móveis, pois na maioria das vezes estão aderidas à pele, e/ou aos planos profundos. A fixação cutânea se faz quase sempre na região areolar, com ou sem retração da mamila, de acordo com a intensidade da infiltração (Montoro, 1984; Rubin, 1990). Na sua evolução, as neoplasias podem ulcerar-se, sem significar, por isso, doença de Paget, que também pode ocorrer no homem. Rara é a queixa de dor, como excepcional é a descarga papilar que, quando existe, é sanguinolenta com esfregaços positivos. O eritema de pele, embora pouco comum, exibe as características clínicas do câncer agudo. Também é muito raro o aparecimento de um carcinoma clinicamente oculto, denunciado pela adenopatia axilar, pois as reduzidas dimensões da mama masculina facilmente permitem sua palpação (Bernardello, 1980; Montoro, 1984). O câncer da mama masculina provoca rapidamente o comprometimento linfático. Contribui para isto o fator anatômico de proximidade, com os plexos linfáticos areolares. Tumores de 3 ou 4cm no homem são equivalentes a um comprometimento total da mama feminina, daí suas altas taxas de metastatização (Montoro et al, 1977; Montoro, 1984). No Brasil, o câncer, de forma geral, é a terceira maior causa de mortes no país (11,84% do total dos óbitos) e a segunda doença que mais mata (27,63% do total) perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Segundo as "Estimativas da Incidência e Mortalidade por Câncer no Brasil em 2000", publicadas anualmente pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), devem ser registrados 284.205 casos novos e 113.959 óbitos por esta doença, no ano de 2000, em todo o país. Para o sexo masculino, são esperados 138.755 casos e 61.522 óbitos, enquanto que para o sexo feminino são estimados 145.450 casos com 52.437 óbitos. Diante das estimativas do INCA, o principal tipo de câncer que acometerá a população brasileira no ano de 2001 deverá ser o de pele não melanoma (42.305 casos novos), seguido pelo de mama (28.340), de pulmão (20.082), de estômago (19.860) e do colo do útero (17.251). Entre as mulheres, o de mama continua sendo o maior causador de mortes por câncer, com 8.232 mortes (INCA, 2000). Em 1998, as maiores taxas de mortalidade por causa do câncer de mama em homens foram em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, respectivamente (Figura 1). As regiões norte e nordeste apresentaram as menores taxas de mortalidade por esta neoplasia (MS/Funasa/CENEPI, 2001). No ano de 1996 ocorreu o maior número de óbitos por causa do câncer de mama masculina no Brasil, sendo que em 1997 e 1998 não ocorreram reduções significativas dos óbitos (Figura 2), o que reforça a necessidade de maior atenção a estes pacientes, que já possuem a doença ou que pertencem aos grupos de risco (MS/Funasa/CENEPI, 2001). Em 1997, a prevalência dos casos de câncer de mama em homens permanecia em Belém, mas em 1998, de acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência desta neoplasia passou para a região sul do país (Figura 3). Em 1997, dentre os continentes do mundo, a Ásia agrupava as mais altas taxas de mortalidade pelo câncer de mama em homens, seguido da América do Norte, África, Europa, Oceania e América do Sul e Central (Figura 4) (Parkin, et al, 1997; MS/Funasa/CENEPI, 2001). De acordo com o Ministério da Saúde, observa-se a crescente ocorrência de neoplasias em pacientes do sexo masculino no Brasil desde 1994 (Figura 6). Estatísticas dos Estados Unidos mostram uma sobrevida geral em torno de 80%, em 5 anos. Isso, porém, depende da época de diagnóstico da doença, a sobrevida em cinco anos passa de 96%, em tumores localizados, para cerca de 20%, nos tumores já disseminados (Sasse, 2001).
TERAPIAS DO FUTURO: segundo Sasse, 2001, as seguintes terapias poderão ser aplicadas para tratamentos das neoplasias futuramente: 1. Imunoterapia: a possibilidade do sistema imunológico ser utilizado para destruir as células neoplásicas sempre foi vista como uma possibilidade muito interessante. Nos últimos anos, a imunologia tem feito novas descobertas importantes. O tratamento imunoterápico do câncer se baseia na ativação do sistema imune contra a célula maligna. Ela produz alguns tipos de proteínas que passariam a ser reconhecidas pelas células de defesa do organismo. Haveria então a destruição das células do tumor. Há várias formas de se estimular o organismo a atacar as células neoplásicas. Inespecificamente, através da inoculação de bactérias (por exemplo, a BCG, que causa a tuberculose) pouco ativas para produzir doença, mas ativas o suficiente para evocar uma severa reação inflamatória, tornando as células de defesa mais agressivas. Funciona bem se aplicada localmente no tumor. Há ainda outras propostas, como a produção de anticorpos monoclonais, contra proteínas específicas, encontradas nas paredes das células neoplásicas. Estes anticorpos ajudariam o sistema imune a reconhecer as células neoplásicas como estranhas. Poderiam também, carregar consigo toxinas que atingiriam apenas as células com aquela proteína, no caso, as células do câncer. Há também a possibilidade das "vacinas", onde se separam antígenos específicos da célula tumoral, e se reinjetam no paciente, que teria seu sistema imune ativado (como já é feito com vírus e bactérias, atualmente). Ainda outra possibilidade para o futuro é a produção de linfócitos por engenharia genética, que levariam à destruição das células tumorais. Estes linfócitos seriam retirados do próprio paciente, o que tornaria o tratamento mais específico.
2. Alvos Moleculares da Terapia do Câncer: tratar o câncer a nível molecular envolve o reparo do DNA alterado, desligar proteínas-chave no crescimento celular, e aumentar a sensibilidade das células tumorais às terapias convencionais, como a radioterapia. Neste campo entram os estudos sobre ciclo celular, e proteínas relacionadas com a regulação do crescimento e multiplicação celular. O gene p53 é o mais conhecido supressor tumoral. Ele encontra-se alterado em aproximadamente 50% dos canceres. Encontrar alguma maneira de corrigí-lo seria uma forma inteligente de bloquear o câncer, pois ele levaria as células à autodestruição (apoptose). Além do p53 há vários outros genes envolvidos, e os estudos são promissores. A perda da senescência (envelhecimento) das células tumorais é outro ponto que pode ser tratado. Os inibidores da telomerase, que é uma enzima que dá uma espécie de "rejuvenescimento" à célula, são potenciais novas armas contra o câncer. Inibidores de proteínas que ativam o crescimento celular também são potenciais armas poderosas no combate ao câncer, assim como inibidores de proteínas que ajudam as células tumorais a quebrar a estrutura normal do tecido, fazendo invasão e metástases (proteases e colagenases).
3. Antiangiogênese: os inibidores de angiogênese são também alvos moleculares. Eles levariam as células tumorais à morte por falta de nutrientes, pois bloqueariam a produção de vasos sangüíneos, essenciais para levar o sangue com os nutrientes ao tumor. As células tumorais produzem substâncias que fazem os vasos sangüíneos crescerem, para aumentar o fluxo de sangue no local, levando oxigênio e nutrientes. As novas drogas seriam bloqueadoras dessas substâncias produzidas pelos tumores. Vários estudos ainda estão sendo feitos, sendo a antiangiogênese uma das grandes esperanças no combate ao câncer .
CONCLUSÃO Mesmo com a existência de um grande número de programas de controle do câncer de mama, associados a uma tecnologia eficaz na prevenção e na detecção deste, não tem sido registrado nos últimos anos uma queda na incidência e no número de óbitos por esta patologia (Silva, 2001). A falta de conscientização e preconceito por parte dos homens, da importância da realização dos exames para detecção do câncer de mama, tem sido considerada uma das principais causas da ocorrência de óbitos por esta neoplasia. A busca do diagnóstico do câncer de mama em fases iniciais juntamente à incorporação e adoção de condutas terapêuticas sempre atualizadas, poderá acelerar o passo no Brasil no sentido de aumentar e melhorar a sobrevida dos homens com câncer de mama.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.Bennett, J. C; Plum F. Cecil. Tratado de Medicina Interna. 20. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.
2.Bernardello, E. T. L. Descarga papilar: procedimentos diagnósticos. In: Pinotti, J. A., Diagnósticos em Mastologia. São Paulo: Manole, 1980.
3.Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2 ed. rev. atual. - Rio de Janeiro: Pro-Onco, 1993.
4.Fedrizzi E. N. et al. Manual de terapêutica ginecológica e obstetrícia. Associação Catarinense de Medicina. 2.ed. Florianópolis, 1999.
5.IDI. O que é câncer de mama, 2000. Disponível em: www.idi.com.br/camama.htm. Acesso em janeiro de 2001.
6.INCA. Instituto Nacional do Câncer. Coordenação Nacional de Controle do Tabagismo, Prevenção e Vigilância do Câncer (Conprev). Falando sobre o Câncer de Mama. Rio de Janeiro: MS/INCA, 2000.
7.Jornal O Estado de São Paulo. Disponível em: http://www.estado.estadao.com.br/edicao/pano/97/08/13/ger347.html
8.Maturidade. Câncer de mama, 1998. Disponível em: www.maturidade.com.br/saude/mama.htm. Acesso em janeiro de 1999.
9. Ministério da Saúde/Funasa/CENEPI - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM, 2001.
10.Ministério da Saúde-Brasil. DataSus. Home page, 2001.
11.Montoro, A. F; Rivera, J. S; Barbosa, E. M. Carcinoma da mama masculina. Considerações baseadas em 5 casos. Ver. Ass. Méd. Brás., 23:123, 1977.
12.Montoro, A. F. Mastologia. São Paulo: Sarvier, 1984. 13.Montoro, A. F.; colaboradores. Alternativas diagnósticas e terapêuticas no câncer de Mama. São Paulo: Edição BRADEPCA, coedição CNPq, 1987.
14. PARKIN, S.L.W.; FERLAY, J.; RAYMOND, L.; YOUNG, J. Cancer incidence in five continents. Iarc Scientific Publications, 7: 143, 1997.
15.Registro Hospitalar de Câncer do Hospital do Câncer - AC Camargo em São Paulo. 1994. Disponível em: http://hcanc.org.br
16.Reportagem Eu tive câncer de mama. Revista da Folha de São Paulo 25/06/2000 .Jornalista: Roberto de Oliveira. Fotos: Caio Esteves / Folha Imagem.
17.Robbins, S. L; Cotran, R. S; Kumar V. Patologia Estrutural e Funcional. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986.
18.Rock, A. J; Thompson, D. J. Te Linde. Ginecologia Operatória. 8.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
19.Royalagaricus. Câncer de mama, 1999. Disponível em: www.royalagaricus.com.br/cancer/mama.htm. Acesso em fevereiro de 1999.
20.Rubin, E; Farber, J. L. Patologia. Rio de Janeiro: Interlivros Edições Ltda, 1990.
21.Sasse A. Câncer de mama, 2001. Disponível em: http://andre.sasse.com/causas.htm. Acesso em agosto de 2001.
22.Silva, A.S; Filippini, C.A; Bianchini, E; Ropelatto, C; Thiesen, K; Haas, P. Ocorrência de Câncer de Mama no Brasil e no Estado de Santa Catarina. NewsLab, São Paulo, SP, vol:46: 160-172, 2001.
Anexos deste artigo.
Nota: Publicado na revista Laes&Haes, v.136,p.174-194,2002
|
| |
|
Você ainda não tem uma conta? Você pode criar uma aqui. Como usuário registrado do site, você vai poder configura-lo de acordo com suas preferências, além de ter outras vantagens exclusivas.
|
Average Score: 4.28 Votos: 7

|
|