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Envelhecimento ovariano! - Número limitado de óvulos?
Enviado por Tuesday, May 01 @ 15:32:01 BRT por dinho

Clippings

O adiamento da gestação é uma importante mudança social que tem contribuído para um aumento na incidência de subfertilidade. Existe uma aparente discrepância entre a habilidade em manter um padrão de ciclo ovulatório regular e a cessação muitos anos antes da fertilidade feminina. Este último é largamente explicado pelo aumento relacionado à idade na não-disjunção meiótica acarretando aneuploidias cromossômicas e perdas gestacionais precoces, de tal forma que mulheres após os 42 anos, a maioria de seus embriões são cromossomicamente anormais e raramente progridem no desenvolvimento.



As mulheres nascem com um número aproximado de 1 milhão de óvulos. Estes óvulos estão em contínuo processo de depleção, iniciado ainda na sua vida intra-uterina, mesmo antes da criança nascer. Na verdade, as mulheres têm cerca de 5 milhões de óvulos quando no útero de sua mãe. Todo mês uma pequena porcentagem desses óvulos são perdidos e a medida que a mulher se aproxima dos 35 anos a porcentagem de óvulos perdidos comparados com o número total destes aumenta.

Quando a mulher atinge os quarenta anos sua fertilidade declinou significantemente. Não somente o número total de óvulos diminui como também a qualidade dos óvulos restantes é pior. Eventualmente, todos os óvulos da mulher são depletados, a produção de hormônios femininos é cessada e a mulher pára de menstruar. Estas mudanças marcam a instalação da menopausa. Os ovários como outros órgãos, envelhecem e finalmente perdem a sua função. A menopausa marca o fim definitivo da vida reprodutiva da mulher. A idade média da menopausa é 51 anos. No entanto, a menopausa pode ocorrer em qualquer idade, dependendo do número de óvulos que a mulher nasce com ou o quão rápido é essa perda. Isto tem uma importante implicação clínica na qual a medida sérica do hormônio folículo estimulante (FSH), avaliada no início do ciclo menstrual (terceiro dia), pode ser um valioso índice prognóstico, no entanto, a idade cronológica mantém-se importante.

Diferente dos espermatozóides que são constantemente renovados (a cada 90 dias tem-se novos espermatozóides para serem ejaculados), os óvulos tem a mesma idade cronológica da mulher. Isso dá suporte então para que um óvulo com 35-40 anos possa ter acumulado mais danos devidos à mutações genéticas espontâneas, exposição à substâncias químicas no ambiente, do que uma mulher com 20-25 anos. Enquanto mulheres mais velhas têm óvulos que parecem normais, estes têm mais anormalidades genéticas que limitam a chance de gravidez ou resultam num embrião anormal, o qual é provável que ocorra o abortamento.

O questionamento do que determina o envelhecimento ovariano ainda continua. O fator ambiental que mais consistentemente é relatado é o fumo. Este influenciaria no número de folículos disponíveis para desenvolvimento a cada mês, no eixo hipófise-ovário, e afeta o metabolismo dos hormônios sexuais. Também foi encontrado substancias químicas no cigarro que estimulam o gen da morte celular programada (apoptose) aumentando assim o dano folicular e falência ovariana prematura em camundongos.

Genes ou interação de genes com fatores ambientais são desta forma bons candidatos em ter um maior impacto no envelhecimento ovariano. Identificar estes genes e suas funções, nos ajudará no entendimento do envelhecimento reprodutivo da mulher.

Em recente artigo publicado, cientistas norte-americanos relataram que ovários de camundongas foram capazes de produzir novos óvulos a partir de células germinativas, durante a vida reprodutiva. Isto sugere que os ovários podem ter mais em comum com os testículos do que imaginávamos. No entanto, devemos salientar que ainda não está definido se este tipo de células germinativas estão presentes e/ou o quanto prolífero seriam em humanos. No momento, este grupo tenta isolar este grupo celular (células germinativas) e identificar genes ativos. Posteriormente então, pesquisar similaridades genéticas com o ovário humano.

Alessandro Schuffner
Research Fellowship no Jones Institute for Reproductive Medicine, Norfolk, EUA. Integrante da Comissão de Endocrinologia Reprodutiva da Soc. Brasileira de Reprodução Humana - SBRH Integrante do Comitê de Reproduçao Humana da Soc. Ginecologia e Obstetrícia do Paraná – SOGIPA


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