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ESCLARECIMENTO AS USUARIAS DA TRH E A POPULAÇÃO EM GERAL
Enviado por Sunday, August 04 @ 22:59:30 BRT por dinho

Clippings
ESCLARECIMENTO AS USUARIAS DA TERAPEUTICA DE REPOSIÇAO HORMONAL E A POPULAÇÃO EM GERAL

A Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia FEBRASGO e a Sociedade Brasileira do Climatério SOBRAC, entidades médicas que cuidam da saúde da mulher climatérica, em virtude:

1. Das manifestações e da enorme repercussão na mídia quanto aos resultados do trabalho publicado pelo Joumal of American Medical Association (JAMA, July 17, 2002 Vol. 288, n.3, 321 333) do estudo denominado Women's Health Inífiative" (WHI), patrocinado pelo National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos da América do Norte, sobre as influências da terapêutica de reposição hormonal em mulheres pós menopáusicas;
2. Da grande preocupação com a saúde das mulheres nesta etapa da vida, especialmente das que estão em uso de TRH.
Acham se no dever de prestar os seguintes esclarecimentos às usuárias de TRH e à população brasileira:
0 estudo WHI reuniu, em várias cidades americanas, mais de 27.000 mulheres pós menopáusicas com idade entre 50 e 79 anos, sendo a média etária de 63,2 anos. 0 objetivo primário foi avaliar os efeitos da TRH sobre o risco de infarto do miocárdio e de câncer de mama. Também se procurou verificar o risco de acidente vascular cerebral, de embolia pulmonar, de câncer colo retal e de fratura de bacia. 0 tempo médio previsto de observação para este conjunto de mulheres era de 8,5 anos. As pacientes para fins do estudo planejado foram divididas em dois grupos:

Grupo 1 Composto de pacientes que haviam retirado o útero (histerectomizadas), tratadas com Estrogênios Conjugados Eqüinos (ECE), nas doses de 0,625 mg/dia. Os seus resultados vêm sendo comparado com placebo (substância inativa). Os seus resultados não estão disponíveis ainda para o conhecimento público Este grupo continua sendo estudado com as pacientes se mantendo dentro dos limites de segurança pré-estabelecidos pelo comitê de monitorização e segurança do estudo.

Grupo 2 Composto de pacientes com útero intacto, tratadas com a associaçao de estrogênios e progesterona, por via oral, no seguinte esquema: Estrogênios Conjugados Eqüinos e Acetato de Medroxiprogesterona (AMP) nas respectivas doses de 0,625 e 2,5 mg/dia. Igualmente tiveram os seus resultados comparados com placebo. Este grupo teve o seu acompanhamento interrompido após 5,2 anos de seguimento médio das pacientes pois a incidência de cãncer invasivo de mama ultrapassou os limites de segurança pré estabelecidos para as pacientes do estudo.

Os resultados encontrados no grupo 2 (associação de estrogênios e progesterona), que sofreu interrupção na sua continuidade, foram: aumento do risco de câncer de mama (8 casos em 10.000 mulheres a cada ano) , infarto do miocárdio (7 casos em 10.000 mulheres a cada ano) acidente vascular cerebral derrame cerebral (8 casos em 10.000 mulheres a cada ano) e tromboembolismo venoso (8 casos em 10.000 mulheres a cada ano). De outra parte, houve diminuição do risco de fraturas (5 casos em 10.000 mulheres a cada ano) do quadril e de câncer colo retal (6 casos em 10.000 mulheres a cada ano).

Considerações sobre o estudo

1. Deve ser levado em consideração que apenas um regime terapêutica foi utilizado. unia unica dose dos hormônios foi empregada (doses convencionais) e uma única via de adminisIraçao dos medicamentos foi testada. Não se analisou as vias não orais (adesivos transdermicos, gel, implantes e via nasal) Não se avaliou os vários tipos de regimes terapèijticos disponiveis em nosso pais, Analisou se apenas o regime terapêutico que e mais empregado rio pais em que o estudo foi realizado. Nao se levou em consideração os aspectos clínicos singulares de cada paciente que permitiriam a individualização por parte do médico do regime mais apropriado paracada caso. possibilitando. desta forma, otimizar os benefícios e reduzir os riscos

2. 0 aumento do risco relativo de câncer de mama já era referido em estudos anteriores. Parece, conforme o proprio WHI mostra, depender do tempo de uso dos hormônios e do emprego concomitante e continuo de progesterona junto com o estrogênio. 0 risco neste estudo só foi observado depois de um tempo médio de seguimento de 5,2 anos, o que ja havia sido notado ern outros estudos

3. 0 grupo de mulheres no estudo WHI que estao usando apenas estrogènios nao foi Interrompido, pois os limites de segurança estão preservados. Os seus resultados serão divulgados em tempo oportuno

4. Os resultados deste estudo, inquestionáveis, devem, no entanto, ficar restritos ao regime de tratamento empregado as pacientes dessa faixa etária. Não se podem extrapolar os seus resultados para todos os outros tipos de regimes terapêuticos. De igual modo, nao podem ser estendidos para as mulheres que iniciam a TRH mais cedo em periodo mais proximo da menopausa,

5. Atualmente, existe uma tendência mundial para a administração de baixas doses de hormônios as mulheres com maior tempo de pós menopausa e/ou idade mais avançada, o que nao foi avaliado no estudo WHI. Parece nos importante esclarecer que a decisão clínica de iniciar ou dar continuidade à TRH (conjunta de medico e paciente) deve levar sempre em consideração a peculiaridade de cada caso, em particular procurando se individualizar o regime terapêutico a ser adotado, as doses e vias a serem empregadas, o tempo de utilização dos hormÔnios, os beneficios e os riscos desta modalidade de tratamento. Com base nos resultados publicados não parece apropriado indicar a TRH em esquerna combinado e continuo com estrogênios e progesterona, especialmente com os mesmos hormónios e as mesmas doses usadas no estudo WHI, visando a prevenção primaria de infarto do miocardio e acidente vascular cerebral. Por fim, gostaríamos de enfatizar que nac, existe razão para pânico. As pacientes usuarias de TRH que estejam preocupadas com o seu tratamento, devem compartilhar com os seus medicos de confiança a decisao da continuidade do seu atual regime de TRH, da eventual conveniência de mudanças ou mesmo da sua interrupção. FEBRASGO Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia Rua Pedro de Toledo, 980 cj.21 São Paulo/SP CEP 04039 002 Av. Das Américas, 8445 sl. 711 Barra da Tijuca Rio de Janeiro/RJ CEP 22793 081 Email: secretaria.executiva@febrasgo.org.br SOBRAC Sociedade Brasileira de Climatério SOBRAC Sociedade Brasileira de Climatério Rua Carreiro de Pedra, 98 Chácara St2 Antõnio São Paulo/SP CEP 04728 020 Email: sobrac(:àmenopausa.org.br

Nota: FEBRASGO E SOBRAC

 
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